Celo Dut apresenta “Rei das Ruas”, álbum que transforma ancestralidade, afeto e identidade em sua obra mais pessoal.
Após transitar por diferentes sonoridades ao longo de sua trajetória, Celo Dut apresenta “Rei das Ruas”, seu primeiro álbum solo. Com treze faixas, o projeto, que acabou de ser apresentado no Rock in Rio, traz participações de BK’, Liniker, Baco Exu do Blues, Teto e Ravi Lobo. O disco marca um novo momento na carreira do artista baiano ao revelar, de forma integral, sua identidade musical e reunir influências que atravessam o rap, a MPB, os ritmos afro-brasileiros e diferentes referências da música contemporânea.
Dividido em três atos, “Rei das Ruas” acompanha a trajetória de um personagem inspirado nas vivências do próprio Celo. Ao longo do álbum, ele enfrenta ausências, conflitos e desafios que o levam a construir mecanismos de defesa para sobreviver. A segunda parte representa sua guerra simbólica – um período de resistência e fortalecimento – enquanto o terceiro ato marca seu retorno para casa. É nesse momento que o personagem abandona as armaduras construídas ao longo da caminhada e reencontra o amor, a leveza e uma nova forma de existir.
O conceito do disco nasceu de maneira orgânica e representa uma mudança na forma como Celo passou a construir sua obra. Diferentemente de trabalhos anteriores, desenvolvidos com um olhar mais voltado às expectativas do mercado, “Rei das Ruas” foi concebido sem seguir estratégias comerciais, funcionando como um retrato de sua musicalidade, de suas referências e da maneira como enxerga a própria arte.

O título do álbum também traduz essa proposta. Expressão utilizada pelo artista há anos como uma gíria de conotação positiva, “Rei das Ruas” passa a dialogar com sua ancestralidade e espiritualidade. A figura do rei se conecta às referências de Xangô e aos orixás, presentes em sua formação desde a infância, enquanto a estética do projeto propõe um encontro entre passado, presente e futuro. Essa relação também atravessa a construção musical do disco, que aproxima diferentes linguagens sem abrir mão da identidade do artista.
As participações especiais acompanham a evolução dessa narrativa e ocupam papeis fundamentais ao longo do álbum. A ancestralidade é outro elemento que sustenta toda a narrativa de “Rei das Ruas”. Em “Katito”, Celo resgata um canto tradicional do candomblé de Angola presente nas reuniões realizadas na casa de sua mãe biológica, que também é mãe de santo. Cantada por familiares durante esses encontros, a música ganha uma nova leitura no álbum e reforça o diálogo entre memória, espiritualidade e identidade. A faixa conta ainda com a participação de seu filho nos vocais, tornando esse encontro entre gerações ainda mais simbólico.
Logo no início, BK’ participa de “Frágil”, faixa que aborda a ausência paterna, a forma como o personagem aprende a enxergar a vida e encontra maneiras de expressar seus sentimentos. A colaboração representa um dos momentos centrais da construção emocional do disco e apresenta o protagonista antes de sua travessia.
Na sequência, a narrativa mergulha em seu momento mais intenso: a guerra simbólica. Depois desse percurso, o álbum muda de direção e passa a explorar sentimentos como acolhimento, amor e esperança.
É justamente nesse momento que Liniker participa de “It’s Fine”, faixa foco, responsável por abrir o terceiro ato de “Rei das Ruas”. A parceria acompanha o retorno do personagem para casa e simboliza o instante em que ele deixa para trás as armaduras construídas ao longo da jornada, permitindo-se viver o amor e a vulnerabilidade.
Em seguida, Teto participa de “Lugar Seguro”, uma das canções mais leves do álbum. Influenciada pelo afrobeat, a música representa um momento de tranquilidade e prepara o caminho para a reta final da narrativa.
Na sequência, Ravi Lobo aparece em “Por Amor”, conduzindo o personagem para um lugar de esperança. Convidado a explorar uma escrita diferente da que costuma apresentar em seus trabalhos, o artista participa de uma faixa construída sobre piano e backing vocals, reforçando a ideia de que a felicidade não representa o fim da caminhada, mas o início de novos ciclos.
Baco Exu do Blues também integra o álbum em “Brinde a Vida”, ampliando o encontro entre diferentes gerações e linguagens da música baiana.
O encerramento acontece em “Pedrinha de Aruanda”, outra canção ligada à infância do artista. Depois de atravessar conflitos, solidão, resistência e transformação, o personagem compreende que a felicidade não encerra sua trajetória, mas inaugura uma nova etapa. A escolha da música reforça a ideia de continuidade que atravessa todo o projeto.
A construção sonora de “Rei das Ruas” também reflete esse processo. As primeiras ideias nasceram em encontros entre Celo e o músico Rodrigo, antes de serem desenvolvidas em estúdio com banda completa, guitarras, teclados, baixo, backing vocals e diferentes músicos convidados. Entre eles estão um ex-integrante da banda formada por seu pai e Migga Freitas, filho de Carlinhos Brown e Átila Coutinho, que participa das gravações de parte do álbum.
O lançamento de “Rei das Ruas” teve um gosto especial no último sábado, no Palco Supernova, do Rock in Rio, onde apresentou algumas faixas pela primeira vez com banda completa. O show traduz para o palco a proposta do álbum e materializa um desejo cultivado desde a infância: apresentar sua música da forma como sempre imaginou.
Mais do que um primeiro álbum solo, “Rei das Ruas” representa um ponto de virada na trajetória de Celo Dut. Ao transformar memórias familiares, ancestralidade, espiritualidade e experiências pessoais em uma narrativa sobre identidade, pertencimento e transformação, o artista apresenta sua obra mais completa até aqui e amplia os caminhos da música urbana brasileira.
FICHA TÉCNICA
Direção musical: Celo Dut
Arranjadores: Rodrigo HIT (@rodrigohit) e Marcelo de Lamare (@Marcelodelamare)
Beatmakers: Luango (@luangonobeat) e Estrela (@esstrelaa)
Produtor: Dac7es (@dactes)
Mix/master: Dani pampuri (@danipampuri)
Backvocals: Camila Ceuta (@camilaceuta), Jaqueline Cardoso (@eujaquecardoso) e Sofia Martins (@sofimartiinszz).
Sanfona: Kiko Horta (@kiko.horta)
Bateria: Migga Freitas e Átila Coutinho (@atila.coutinho)

Sobre Celo Dut
Natural da Cidade Baixa, em Salvador (BA), Celo Dut é cantor, compositor e rapper. Integrante do selo 999, fundado por Baco Exu do Blues, desenvolveu uma identidade artística marcada pelo diálogo entre rap, MPB, ritmos afro-brasileiros e diferentes sonoridades da música brasileira. Filho de músicos, iniciou sua relação com a música ainda na infância, acompanhando ensaios e apresentações da banda formada por seu pai e seus irmãos.
Fotos: Divulgação.
