Sergio Krakowski leva “Boca do Tempo” ao BNDES em experiência que une pandeiro, tecnologia e imagem.
No próximo dia 01 de outubro, Sergio Krakowski apresenta, no Espaço Cultural BNDES, “Boca do Tempo”, espetáculo que une pandeiro, voz, tecnologia e imagem em uma experiência imersiva com direção de imagem de Batman Zavareze. Projeto solo do músico sintetiza mais de 20 anos de pesquisa composicional e propõe uma travessia por temas como tempo, memória, ancestralidade e resistência cultural.
“O show ´Boca do Tempo´ é do meu trabalho solo que vem sendo desenvolvido há muitos anos e que lida com a improvisação como parte central. As canções que compus servem como ilhas que vão sendo conectadas através de uma narrativa improvisativa que usa o pandeiro conectado à eletrônica e à voz. No BNDES vou ter como convidado o Batman Zavareze que vai dar visualidade a esse percurso sonoro também de forma improvisada.” (Sergio Krakowski)
Sergio Krakowski é um pandeirista carioca que redefine as possibilidades de seu instrumento. Transformando o pandeiro em surdo, tamborim e bateria eletrônica, o músico desenvolve uma poética própria, marcada pela exploração de polirritmias e contrapontos. Com mais de 20 anos de trajetória composicional, sua obra transita entre a tradição musical brasileira e a vanguarda tecnológica.
No início dos anos 2000, Krakowski participou do movimento de efervescência cultural que marcou o renascimento da Lapa, no Rio de Janeiro, como polo da música carioca, e fundou o grupo Tira Poeira. O grupo dividiu o palco com artistas como Chico César, Lenine e Maria Bethânia, que os convidou a assinar o arranjo de “São Jorge” para o álbum Brasileirinho e a participar da turnê do projeto.
Em paralelo à carreira artística, Krakowski obteve doutorado em Computação Musical pelo IMPA, desenvolvendo softwares originais que permitem ao pandeiro controlar projeções de vídeo e efeitos sonoros em tempo real. Essa pesquisa o levou ao Laboratório de Computação Musical da Sony, em Paris.
Baseado em Nova York por mais de uma década, construiu uma extensa carreira internacional ao lado de nomes como Anat Cohen, Gonzalo Rubalcaba, Lionel Loueke, Cyro Baptista e Edmar Castañera. Ao longo dessa trajetória, apresentou-se em espaços como Lincoln Center, Jazz Standard, Birdland, Museu Guggenheim, em Nova Iorque e Bilbao, Palau de la Música, em Barcelona, e New Morning, em Paris.
Sua discografia inclui Carrossel de Pássaros (2012), com Yamandú Costa e Marcos Suzano; Pássaros: A Fundação da Ilha (2016); e Mascarada (2024), homenagem a Zé Keti com co-assinatura de Jards Macalé, lançado pela Rocinante e premiado pela APCA como um dos melhores discos nacionais do ano.
É a partir dessa trajetória, que une a pesquisa sobre o pandeiro, composição, tecnologia e experimentação visual, que nasce Boca do Tempo.
Em Boca do Tempo, Sergio Krakowski transforma o pandeiro em ponto de partida para uma experiência musical e visual que aproxima percussão, voz, palavra, eletrônica e tecnologia. Projeto solo que sintetiza mais de vinte anos de pesquisa composicional do artista, o espetáculo propõe uma apresentação intimista e imersiva, na qual corpo, som e imagem se articulam em uma única linguagem.
Inspirado no álbum Boca do Tempo, lançado pela Rocinante, o espetáculo acompanha uma travessia entre dois acontecimentos fundamentais na trajetória de Krakowski: a perda representada pela morte de seu pai e o nascimento simbolizado pela chegada de seu filho. A partir desse percurso, a obra investiga o fluxo do tempo, a memória, a ancestralidade e a resistência cultural, estabelecendo também diálogos com questões contemporâneas de injustiça e luta.
No centro dessa linguagem está o pandeiro. Mais do que um instrumento de acompanhamento, ele funciona como uma interface de criação: por meio de softwares desenvolvidos pelo próprio Krakowski durante seu doutorado no IMPA, o músico controla em tempo real projeções visuais que respondem ao toque, à intensidade e ao ritmo de cada gesto. Assim, o corpo do artista se torna simultaneamente instrumento musical e dispositivo de criação visual, enquanto polirritmias e contrapontos sonoros encontram imagens que pulsam, se fragmentam e se recompõem ao vivo.
A narrativa do espetáculo se desenvolve por diferentes momentos. “Alga” é uma homenagem ao pai de Sergio, já a faixa “Dongueragan” se apropria da língua inglesa para criar uma percussão verbal brasileira. Em “Chica”, o artista presta homenagem às mulheres criadoras, com destaque para Chiquinha Gonzaga. Já “Renegue Não” que tem referências místicas da Cabala também introduz uma dimensão social e política ao espetáculo, trazendo para a cena uma reflexão sobre injustiça e luta.
Ao longo da apresentação, som e imagem deixam de ocupar lugares distintos e passam a construir uma mesma narrativa. O resultado é uma experiência sensorial que convida o público a percorrer, junto ao artista, diferentes estados de memória e percepção.
Boca do Tempo foi gestado ao longo de diversas residências artísticas em clubes de Jazz em Nova York e recebeu prêmio do Estado de Nova York para uma apresentação no Museum of Moving Image, como parte do Electronic Arts Festival. O projeto também foi apresentado no Museu Guggenheim de Bilbao, consolidando a pesquisa de Krakowski na interseção entre música, tecnologia e artes visuais.

SERGIO KRAKOWSKI
Show “Boca do Tempo”
Data: 01/10 (quinta-feira)
Local: Espaço Cultural BNDES – Avenida República do Chile, 100 – Centro
Horário: 19h
Ingressos: Os ingressos podem ser reservados a partir de 12h do dia 28/09 pelo link www.bndes.gov.br/
Capacidade: 384 pessoas
Classificação etária: Livre
