Uma noite de axé: Majur leva “Gira Mundo” ao Rio.
A cantora Majur levou ao palco do Vivo Rio, no último sábado (25), a primeira apresentação carioca do show do álbum “Gira Mundo” e transformou a noite em um encontro potente entre música, espiritualidade e emoção. A data carregava um simbolismo especial, próxima às celebrações de São Jorge no Rio de Janeiro, que também reverenciam Ogum nas religiões de matriz africana, orixá guerreiro que abre caminhos.
Nesse clima de axé e reverência, Majur apresentou um repertório inteiramente em iorubá, conduzindo o público por uma experiência imersiva que uniu som, corpo e ancestralidade. Ao longo do espetáculo, a artista também atravessou a cena com três trocas de figurino, em tons de dourado, branco e prateado, reforçando a estética e a dimensão espiritual da performance. No palco, as 16 faixas do álbum ganharam vida em uma apresentação que integrou música e dança de forma orgânica. Um dos destaques foi a presença de quatro dançarinos em cena, interpretando as chamadas danças silvestres, inspiradas em tradições africanas, com coreografias assinadas exclusivamente por mulheres.
“Gira Mundo” nasce como uma afirmação artística e política diante do preconceito religioso, reafirmando a espiritualidade afro-brasileira como parte central da identidade de Majur. Essa força se fez presente em cada detalhe do espetáculo, da construção sonora à presença cênica. Em um dos momentos mais marcantes, com a bandeira do Brasil nas mãos, a artista reforçou sua mensagem: “O navio negreiro não foi um encontro marcado. A gente resiste até hoje. Eu sonho com o dia em que possamos viver a cultura africana no Brasil”.
Sob direção musical de Ícaro Sá e Ícaro Santiago, a banda apresentou uma formação marcante, com três atabaques, criando uma base rítmica intensa e carregada de significado. Ao fim da apresentação, visivelmente emocionada após percorrer as faixas de “Gira Mundo”, Majur compartilhou o sentimento com o público e encerrou a noite em grande estilo ao cantar “Andarilho”, hit de sua carreira que não integra o álbum, levando a plateia a uma catarse coletiva e selando uma estreia memorável na cidade.
“A cultura afro-brasileira não é folclore, comida típica ou roupas bonitas…
É espírito, é natureza, é essência, raiz e resistência.
Que continue viva no desejo de se ver livre de toda intolerância.
Kaô Kabiecile! Odoya! AXÉ!”
Majur
Fotos: Divulgação.
