Viviane Batidão volta às origens em novo álbum.
“Olha meu amor, eu tô sabendo o que tu fez, foi sair pro rock e pegou a tua ex…”. É assim, com drama debochado, refrões populares e a energia do tecnomelody paraense, que Viviane Batidão abre seu novo álbum “Batidão Raiz”, disponível em todas as plataformas digitais a partir deste sábado (30), às 12h.
“Esse álbum me leva direto pra onde tudo começou. Tem a essência da Viviane raiz, das festas de aparelhagem, dos rolês e shows nos interiores, da emoção do povo cantando junto. Eu senti vontade de voltar a fazer música pra esse circuito, porque sempre defendi muito a cultura das aparelhagens e senti saudade dessa conexão”, afirma a artista.
A primeira faixa do projeto, “Eu Tô de Boa”, já apresenta a identidade musical do disco: um tecnomelody com referências à “Galera da Golada”, hit lançado em 2009 e que se tornou um dos sucessos marcantes da cantora nas aparelhagens paraenses. A música resgata justamente essa estética popular das festas do Norte, marcada por batidas fortes, solos marcantes e maiores, refrões chicletes e pela conexão com o público.

O projeto funciona como um reencontro da artista com a sonoridade que marcou o início de sua trajetória e várias etapas importantes que ajudaram a transformar seu nome em uma das maiores referências do pop amazônico. Com 15 faixas inéditas, “Batidão Raiz” mergulha no universo do batidão, do tecnomelody, do melody raiz e do brega bachata consumido nas aparelhagens, que fazem parte da identidade do Pará.
Produzido por Viviane Batidão, que também assina a direção e produção musical do trabalho, ao lado do DJ Junior Vidal, DJ Betinho Izabelense e com arranjos e solos de Erik Andrade, o disco também simboliza um reencontro da cantora com as faixas voltadas para as festas populares do Norte. Betinho explica que “Batidão Raiz” recupera características marcantes do batidão surgido nos anos 2000, misturando a força das batidas dançantes com referências ao brega, ao tecnomelody estilo golada, ao calipso e ao pop. Para o DJ, é justamente essa combinação de influências que mantém o gênero atual, preservando sua identidade enquanto continua conquistando diferentes gerações.
DJ Junior Vidal, que integra a produção musical, destaca que “Batidão Raiz” também atualiza elementos clássicos da sonoridade paraense. “Foi muito gratificante fazer esse resgate dos sons que a gente usava no início, trazendo de volta a força do batidão, das bass lines pesadas e das letras chicletes, mas adicionando novos synths e elementos que deram uma identidade ainda mais atual ao álbum”, explica o produtor.
A faixa de abertura, “Eu Tô de Boa”, de autoria do DJ Betinho Izabelense e da Viviane, produzida por Junior Vidal, DJ Betinho Izabelense e Erik Andrade, mistura empoderamento feminino, deboche e refrão chiclete em uma estrutura típica do tecnomelody. Na sequência, “Gigante Crocodilo” mantém a estética do tecnomelody enquanto homenageia uma das aparelhagens mais fortes do Pará. A faixa celebra o universo das festas, a força, a energia dos DJs e da cultura popular que movimenta multidões na região Norte.
DE VOLTA ÀS APARELHAGENS
Em “O Pop é o Pop” e “Vou pro Rubi”, Viviane mergulha diretamente no batidão tradicional das aparelhagens, com mais energia, com a vibe mais lá em cima. Já em “Carabao o Máximo do Marajó”, o batidão já é mais romântico, mas ainda assim preserva a sonoridade do gênero, com referências do hit “Eu Te Venero”. As músicas fazem referências às suas estruturas históricas do Pará e carregam a atmosfera das festas. Enquanto “Tamatá Evolution”, inspirada no hit “Olha Bem Pra Mim”, e “Grito Seu Nome” apostam no melody raiz romântico, característico das festas paraenses.
“O batidão aqui é raiz porque eu voltei a fazer música pensando nas aparelhagens. Fazia tempo que eu não produzia nessa linguagem. Essas faixas nasceram pra tocar nos telões, nos paredões, nas festas”, explica Viviane.
Já “A Casa Caiu”, “Deixa de Ser Besta”, “Seu Novo Eu”, “Eu Fui Fiel”, “Um Louco Amor” e “Razão do Meu Viver” apresentam um batidão romântico, assim como em “Tamatá Evolution”, mantendo a identidade dançante do gênero enquanto exploram letras de desilusão amorosa, superação e autoestima feminina.
MELODY RAIZ E A INFLUÊNCIA LATINA
Enquanto isso, “Príncipe Negro, O Garanhão”, “Tupinambá” e “Não Vá” mergulham no universo do brega bachata, vertente do brega paraense influenciada pela bachata latina e diretamente ligada à forte relação histórica do Pará com a música caribenha. Ao longo das décadas, ritmos como cúmbia, merengue, calipso e zouk atravessaram as fronteiras amazônicas pelas rádios e passaram a fazer parte da formação musical popular do estado, influenciando gerações de artistas, DJs e produtores locais.
Essa mistura ajudou a construir alguns dos principais gêneros da música regional, da lambada à guitarrada, ao carimbó e, mais tarde, ao brega calypso. Em “Batidão Raiz”, Viviane recupera justamente essa herança sonora ao incorporar referências latinas e amazônicas em faixas que homenageiam aparelhagens históricas e atuais.
DRAMA, AMOR E BATIDÃO
Além da celebração cultural, “Batidão Raiz” também aposta em letras sentimentais e populares que os amantes do batidão romântico amam. Em “Deixa de Ser Besta”, “Seu Novo Eu” e “Eu Fui Fiel”, os sentimentos são explorados de várias formas, principalmente empoderando as pessoas a não viverem relacionamentos falidos.
Com referências do batidão, das aparelhagens, do tecnomelody, do melody e do brega bachata, “Batidão Raiz” reforça a conexão da artista com a cultura popular paraense e as sonoridades que marcaram sua trajetória.
Após ampliar sua projeção nacional com “Só Pra Tu”, parceria com Anitta, Viviane agora volta o olhar para as próprias origens em um disco que funciona como reencontro com as vivências, festas e referências musicais que moldaram sua história nas periferias do Pará e reforçam que ela sabe de onde veio e sabe também onde quer chegar. Em meio à intensa agenda de shows juninos pelo Norte e Nordeste, a cantora transforma “Batidão Raiz” em uma celebração afetiva da cultura amazônica e da identidade popular que sempre esteve no centro de sua carreira
Fotos: Ale Peixoto.
