Com inspiração setentista, Jona Poeta celebra a paixão em “Dois Loucos”
Depois de musicar términos, cicatrizações e recomeços, o cantor e compositor Jona Poeta
decide voltar ao início da história, enquanto tudo ainda parecia possível. É desse lugar que nasce
“Dois Loucos”, novo single do artista gaúcho, radicado em São Paulo, que chega às plataformas
digitais, acompanhado de um clipe lançado à meia-noite no YouTube.
Com uma sonoridade inspirada no rock dos anos 1970 e um olhar mais honesto sobre as relações, a
faixa abre caminho para uma sequência de canções inspiradas em uma mesma história, agora
contada do começo ao fim.
Na contramão dos trabalhos anteriores, marcados pelas marcas deixadas pelas despedidas,
“Dois Loucos” mergulha na intensidade dos primeiros dias de uma relação. A canção captura o
instante em que o desejo transforma a forma de enxergar o mundo e tudo parece ganhar um
novo sentido. “É sobre aquele momento em que o amor ocupa todos os espaços. Quando tudo
parece inteiro e a gente simplesmente vive aquilo”, resume Poeta.

A mudança também aparece na sonoridade do novo projeto. Sem abandonar a essência da MPB,
o artista amplia sua gama de estilos e passeia por referências que vão do R&B ao blues, do jazz
ao rock setentista e encontra até um “pagodão”. Entre as inspirações para essa nova fase estão
vivências que atravessaram sua composição, incluindo um período de imersão na Amazônia ao
lado da comunidade Sete Estrelas e do povo Yawanawa, além do álbum “Caju”, da cantora
Liniker. “Ouvir esse álbum me deu coragem para fazer um novo trabalho sonoramente plural”, afirma.
Além do desenvolvimento pessoal, o lançamento também representa uma evolução natural na
trajetória artística do cantor. A proposta não é explicar uma relação, mas habitar seus diferentes
instantes, sem a necessidade de apontar culpados ou buscar respostas. “Quero contar essa
história inteira, inclusive a parte em que tudo era bonito. Nem toda história precisa terminar
com alguém certo e alguém errado”, reflete o cantor.
Ambientado em um apartamento, o clipe acompanha esse mesmo clima de presença e
memória. Sozinho, o personagem percorre fotografias e objetos espalhados pela casa enquanto
revisita fragmentos de uma relação. Sem seguir uma narrativa linear, a direção aposta em
silêncios, gestos e imagens contemplativas para construir um audiovisual intimista, em que as
lembranças dizem mais do que as explicações.
Fotos: Rebeca Figueiredo.
